Existe uma pergunta simples que muita empresa não sabe responder: quanto do preço de venda vai embora só para colocar o produto na porta do cliente. Enquanto o frete é tratado como despesa administrativa genérica, ele parece pequeno. Quando é alocado por pedido, costuma aparecer como um dos maiores destruidores de margem da operação.
O problema fica pior porque o custo de entrega não é proporcional ao valor do pedido. Levar uma caixa de 200 reais até um bairro distante pode custar quase o mesmo que levar uma de 2.000. Ou seja: quanto menor o pedido, maior a fatia que o frete consome. É por isso que empresas com muitos pedidos pequenos entregam volume, faturamento e nenhum lucro.
Frete grátis nunca é grátis
Oferecer frete incluso é decisão comercial legítima, desde que alguém saiba quem está pagando. Só existem três respostas possíveis: o preço absorve, a margem absorve ou o volume compensa via ganho de escala. Quando a empresa não escolhe, a resposta padrão é sempre a segunda.
O teste é direto. Separe os pedidos do último trimestre em faixas de valor e calcule, em cada faixa, quanto o custo de entrega representou da receita. Quase sempre existe um ponto abaixo do qual o pedido dá prejuízo. Esse ponto é a informação mais útil que a análise entrega.
O que entra na conta de verdade
- Transporte contratado ou custo próprio: valor da transportadora ou, na frota própria, combustível, manutenção, motorista e depreciação rateados por entrega.
- Embalagem: caixa, proteção, fita, etiqueta. Item barato por unidade e relevante no acumulado.
- Separação e expedição: o tempo de equipe para montar, conferir e despachar o pedido.
- Reentrega e devolução: a entrega que falhou porque não havia ninguém no endereço custa duas viagens e nunca é lembrada na precificação.
- Avaria em trânsito: percentual histórico de produto que chega danificado e precisa ser reposto.
Faturamento crescente com frete não medido é a forma mais educada de crescer para trás.
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Falar sobre BPO FinanceiroCinco alavancas práticas
- Pedido mínimo: definir o valor abaixo do qual o frete é cobrado integralmente, com base no ponto de prejuízo que você calculou.
- Faixa de frete grátis: usar o benefício como incentivo para subir o ticket, e não como padrão para todo mundo.
- Consolidação: agrupar entregas por região e por dia da semana reduz custo por parada de forma imediata.
- Cubagem: revisar embalagem, porque transportadora cobra por espaço ocupado e muita empresa paga por ar.
- Cadastro correto: exigir endereço e contato confirmados na venda derruba a taxa de reentrega, que é o custo mais evitável da lista.
Onde o ganho realmente está
Vale um alerta sobre a negociação com transportadora, que é onde a maioria começa e onde o ganho é menor do que parece. Tabela melhor resolve alguns pontos percentuais, enquanto política de pedido mínimo e consolidação de rotas mexem em dezenas. O motivo é simples: a tabela ataca o preço do frete, e as outras duas atacam a quantidade de fretes que você paga. Em operação com muitos pedidos pequenos, o volume de viagens quase sempre pesa mais do que o valor de cada viagem.
Essa leitura conversa com o cálculo de margem de contribuição e com a análise de ticket médio: subir o ticket costuma ser mais eficiente do que negociar tabela, porque dilui um custo que é praticamente fixo por entrega.
Comece separando um trimestre de pedidos por faixa de valor e alocando o custo real de entrega em cada faixa. O número que sair dessa conta muda política comercial, não só logística. Para estruturar essa análise com método, conheça as soluções da BeWolf.
